A Liberdade é um Mito Urbano

Acabei de ouvir a notícia com o anúncio da data para as próximas eleições presidenciais em Angola. 23 de Agosto.

Não é uma notícia a que se feche os olhos, esteja onde se estiver. Eu não conheço bem Angola, tudo o que sei é o que oiço. Há quem diga que Angola é um país com uma elite corrupta e um povo na miséria. Mas também há quem diga que a miséria não é miserável. Há de tudo. Só não há quem não ache nada.

Vejamos o que se diz por aí. Por vezes, para pensar o que o mundo pensa de nós, basta perguntar. Por isso perguntei ao Google por “News Angola” (see https://www.google.de/search?q=angola+presidential+elections+2017). Surpresa! Parece que o Google não se mostra muito interessado com angola. Parece que pouca gente anda interessada na sucessão angolana. Na primeira página de resultados, constam:

  • um pequeno artigo no Wikipédia sobre as eleições angolanas;
  • dois ou três artigos que referem a decisão do actual Presidente da República em não se re-candidatar, ao fim de 38 anos de poder;
  • três ou quatro artigos sobre as eleições a não perder em África 2017: Ruanda, Quénia, Angola e Liberia .

Voilá. Não foi em vão. É que nos dias de hoje parece que Angola não existe. Parece que há um desinteresse internacional pela realidade angolana. É como se a comunidade internacional dissesse: “Tá-se bem!”. Mas em todos os países africanos, e Angola não será a excepção, existem crianças que só bebem as lágrimas que choram, jovens presos por cantarem músicas de intervenção, terra entregue a estrangeiros para ser minada em vez de cultivada, e um povo a ser comido em vez de alimentado.

Mas isto não é apenas em Angola, é-o também na Europa, ou em qualquer outro lugar. É a ditadura do mais rico sobre mais pobre, a da ditadura do mais claro sobre o mais escuro; a supremacia económica e a supremacia branca, a primeira em serviço da segunda. Mas isto é ver com os olhos de quem nos vê a nós. Vendo com os nossos próprios olhos, é a submissão económica ao serviço da submissão do homem negro. Aliás, esta é a história do povo africano, nos últimos séculos. Ainda está para vir um Governo ou um candidato africano que tenha olhos com vontade de ver, que saiba reconhecer que nós o povo não somos o inimigo. Alguém que prefira ser africano do que parecer europeu. Tal como à mulher de César não lhe basta sê-lo, precisando ainda de parecê-lo. Muito mais, a África não lhe basta sê-lo. É forçoso parecê-lo. É que os seus inimigos têm todas as cores menos a sua, e todos os credos menos os seus.

O povo negro só será livre quando perceber que Angola, Moçambique, África do Sul, Namíbia, Zimbabwe,  Congo, Zaire, Nigéria, Togo, Guinés, Senegal, Mali, República Centro Africana, Niger, Rwanda, Uganda, Tanzânia, Chad, etc… não são países, mas regiões de um país maior. Que angolano, moçambicano, sul africano, nigeriano, não são povos, são famílias, cada uma apenas parte do todo: a nação Bantu.

Enquanto o povo africano não ganhar consciência de quem é, continuará a ser quem é: o povo que todo o mundo decidiu escravizar. Eu estou farto desta mentira. Eu sou um peregrino do Piri, Kimbundo da família dos Ngola, da nação Bantu.

A unidade do povo Bantu, é a verdadeira luta africana. Em África vive um povo que não sabe quem é. Em África vive o povo que todo o mundo odeia e escraviza. Cada dia que passa sem desenvolver África, é um passo na direcção da morte.

À união Bantu. À Liberdade. A um verdadeiro reinício.

Photo from: https://uk.news.yahoo.com/angolan-activists-jailed-over-election-protest-144152185.html

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s